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Dicas para aprender outro idioma

Quando eu comecei a estudar inglês, lá em 2005, eu achava um saco. Ia para a escola de inglês duas vezes por semana e comecei a gostar de verdade só alguns anos depois. Foram cinco longos anos de curso e imagine a minha surpresa quando, em 2013, eu fui para os EUA e mal conseguia falar uma frase. Acontece que você precisa praticar, praticar e praticar. Eu entendia perfeitamente o que as pessoas falavam, mas demorava alguns minutos para responder. Até hoje eu dou umas travadas chatas na hora de falar.

Resolvi fazer esse post com algumas dicas de estudo não somente para inglês, mas para qualquer idioma. Hoje é tão fácil aprender em casa, sozinho, com ajuda da internet. Basta dedicação e persistência, especialmente no começo quando tudo parece grego. Sendo bem sincera, eu não sou o perfeito exemplo de perseverança. Já comecei a estudar francês — hoje lembro pouquissímas coisas — espanhol e até japonês. Tenho uma longa lista de idiomas que gostaria de aprender, mas estou indo aos poucos.

O básico primeiro: pronomes, artigos, tempos verbais

Eu começo pelos artigos e pronomes. Depois que decorei o eu, tu, ele e ela parto para os artigos. Em espanhol e francês, não tem segredo. É bem fácil memorizar. Passo para os verbos “principais” e seus respectivos tempos. Ser, estar, ir, vir, comer, andar, esse tipo de coisa. Aprendo se há mudanças na conjugação ou regras específicas. Aos poucos vou aumentando a lista de verbos.

Considero mais fácil você ter pelo menos uma noção de como é a gramática, mesmo que não consiga ler ou reconhecer os verbos ainda. Fica simples para ir mudando outros verbos de acordo com a necessidade se você entende o ‘mecanismo’ por trás da coisa.

Por exemplo, em inglês os verbos no gerúndio terminam com -ing. No passado, terminam com -ed — a maioria,  tem alguns que mudam completamente. Para expressar o futuro, eles não mudam da forma do presente, mas precisam estar acompanhados do indicativo deste tempo verbal, o will. Com essas pequenas informações você começa a conhecer mais verbos e como utilizá-los em diferentes tempos.

Frases e expressões que salvam vidas

Depois, começo com as expressões e frases básicas. Bom dia, boa noite, como vai você e qual o seu nome. Penso em coisas que nós falamos quando conhecemos alguém ou frases que provavelmente iria precisar saber se viajasse para o país. Se eu fosse para França, como eu perguntaria onde é o banheiro? Penso em diversos cenários e faço uma lista de frases. As escolas de idioma usam dialógos por um motivo. Mesmo que você não saiba todas as palavras do idioma, você já vai aprendendo como se comunicar e o necessário para compor uma frase. Com o tempo, você decora as palavras e já sabe como montar outras frases.

Vocabulário

Só deeeepois vou para o vocabulário aprender palavras básicas. Mãe, pai, filho, filha. Cores. Números. Direções. Horas. Faço outra lista e uso uma técnica que funciona MUITO para mim. Não sei se ajudará todo mundo, mas, como sou uma pessoa bastante visual, gosto de escrever dialógos e histórias curtas.

Por exemplo, você conhece dizer “Era uma vez num reino distante” em espanhol? Então, eu escrevo coisas bem bobas assim ou tento traduzir histórias simples para memorizar vocabulário e as maneiras corretas de escrever e falar.  A parte mais importante de aprender um idioma é saber se comunicar de uma forma que faça sentido para quem está te ouvindo.

Aprendi muito isso nos Estados Unidos e continuo aprendendo aqui.

Nós aprendemos a forma mais ‘formal’ de falar nas escolas de idiomas, não o coloquial. Às vezes as pessoas nem usam muito uma palavra que nós aprendemos de novo e de novo numa escola. Por exemplo, quase ninguém aqui na NZ fala how are you? (tudo bem?). Eles falam what’s up? ou how’s it going? ou how have you been? ou até o famoso what’s new? (quais são as novidades?). São todas formas diferentes de perguntar como você está?

Escrever me ajuda a perceber como as pessoas deveriam falar numa conversa casual.

Estudos Idiomas

Fonte: www.pinterest.nz/franarenasb/

Para ouvir e falar bem

Ouça músicas, veja filmes, assista seriados com legenda no idioma e depois tire a legenda e treine seus ouvidos. É muito diferente você ouvir uma gravação na escola do que uma pessoa falando normalmente. Elas falam rápido, têm sotaque, usam gírias, emendam palavras e encurtam outras. Treine seus ouvidos usando diversos métodos.

Para falar, eu uso dois métodos: leio livros em voz alta e faço gravações. Eu praticamente ‘li’ todo o livro A Princesinha, da inglesa Frances Burnett, em voz alta. Assim, você se acostuma a pronunciar as palavras e frases longas e fala de maneira mais fluída. Uso a minha câmera ou o celular mesmo para gravar a minha pronúncia e ver o que preciso melhorar. Pode dar vergonha no começo, mas é bom!

Uma coisa que não levava muito em consideração nas aulas de inglês era o sotaque. Nem sempre as pessoas vão te entender, mesmo que a gramática esteja correta. Para um nativo, você vai falar diferente e eles vão demorar para acostumar com o seu jeito de falar. Quanto mais você falar, mais você vai perder o sotaque. Tente imitar as pessoas nos seriados e os cantores que você gosta, mesmo que pareça difícil.

Planilha de Estudos

Eu gosto de seguir uma planilha ou pelo menos uma lista de itens a serem aprendidos. Por exemplo, pronomes e verbos básicos em uma semana. Na próxima, adicionar mais verbos e tempos verbais. Também inclui outras formas de aprender como “Ler um livro em inglês e anotar palavras novas” ou “Assistir um filme sem legenda”. É uma boa maneira de se manter organizado e atualizado nos estudos. Você também pode ir adicionando mais itens à medida que vai aprendendo ou modificando a ordem de alguns.

Eu gosto de fazer uma planilha semanal, mas sem colocar horários específicos. Coloco apenas “manhã”, “tarde” e “noite”. Pra mim, é muita pressão firmar um compromisso diário numa hora exata, mas tento estudar mais ou menos no mesmo horário. Por exemplo, de noite entre as sete e nove horas. Incluo também finais de semana e pelo menos dois domingos reservados para revisão.

Faça muitas anotações

Anote tudo na forma mais fácil para que você compreenda, mesmo que veja as anotações um mês depois. Aprender um idioma novo é uma questão de prática, por isso, quanto mais você revisa suas anotações ou cria novas, mais fácil seu cérebro vai assimilar tudo o que já aprendeu.

Bom, é isso aí. Esse é o meu plano básico quando estudo um idioma novo. Cada pessoa tem seu próprio jeito de estudar e acho uma boa ideia você ir tentando vários até encontrar o seu. Até porque a confusão do começo pode desanimar. Parece que você não acerta nada e tudo é difícil.

Mas não pode desistir, viu?

Beijos,
Nath.

2 Comments

  1. Claudia Hi

    11 de novembro de 2017 at 00:39

    Adorei as dicas Nath. Quando eu estudava (na escola) escrevia muito. Pra mim, escrever era uma forma de decorar. Mas pra ser sincera eu sempre fui ruim mas matérias que tinham decoreba. Inclusive ingles rs

  2. Jade Amorim

    13 de novembro de 2017 at 15:52

    Nath, sabe que uma coisa que me fez aprender outro idioma de verdade foi conversar com nativos. No começo eu era toda de dicionários e tradutores, mas hoje converso com eles até pelo voice chat. Sempre tive muita dificuldade de aprender pelo “jeito tradicional”, sabe? rs

    Beijos!

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